Direito

Um escritor só tem um dever para com o seu leitor : escrever. E a única verdade que interessa é a verdade interna à sua obra. É ali, naquelas páginas, que o escritor e a sua verdade se consomem. Pode, quem o queira, promover a sua própria personagem pública para fugir à solidão da criação. Mas esse não é um dever seu e muito menos um direito nosso. Só que a arrogância colectiva acha-se devedora de explicações e julga ter a tutela da vida privada de cada um. À medida que perdemos o estatuto de cidadãos, parecemos ganhar o estatuto de ditadores.

Elena Ferrante, como o meu pai e todos os que fazem essa opção, tem o direito de não existir.

espelho

Daniel Oliveira