Mudança

Este era o único aspecto trágico dos livros: eles mudavam as pessoas. Mas não as realmente más. Essas não se tornavam pais melhores, maridos melhores, amigos melhores. Continuavam sendo tiranos, torturavam os seus funcionários, filhos e cães, eram odiosos nas pequenas coisas e covardes nas grandes, e rejubilavam-se com o constrangimento das vítimas.

— Os livros eram meus amigos — disse Catherine … — Acho que aprendi todos os meus sentimentos com os livros. Neles amei mais, sorri mais e aprendi mais do que em toda a minha vida sem leitura.

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Em: A livraria mágica de Paris, Nina George

A Costa dos Murmúrios

a costa dos murmúrios

Este livro é um testemunho de uma época trágica, a anterior à descolonização. Começa por descrever a festa de casamento de um oficial do exército português, e entrelaça a vida futura desses noivos com o ambiente explosivo que se vivia na altura em Moçambique.

Lídia Jorge consegue transmitir bem a falta de esperança, o calor insuportável do fim de uma época.

Escritores

Os escritores podem dividir-se entre aqueles que dizem sofrer enquanto escrevem e os que afirmam divertir-se. Podem também dividir-se entre os que escrevem para saber como termina a história que começaram, e os que só se sentam para escrever depois que desenharam, dentro da cabeça, a estrutura inteira do romance e definiram o enredo, ao mínimo pormenor.

José Eduardo Agualusa        em     “A melancolia do criador depois do fim”